Psicólogo Roberto Orlando

Crenças na Infância: Como Elas Influenciam a Vida Adulta

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Você já parou para observar a forma como toma suas decisões? Desde as escolhas mais simples do dia a dia — como aceitar um novo desafio profissional ou se posicionar em um relacionamento — até as grandes mudanças de rota na vida, existe um motor invisível por trás de cada passo dado.

Esse motor é formado pelo conjunto de crenças que você carrega.

Elas funcionam como lentes invisíveis através das quais você enxerga a si mesmo, os outros e o futuro.

E a pergunta mais profunda que podemos fazer é: onde essas lentes foram lapidadas?

O Início de Tudo: O Mapa Mental Criado na Infância

A forma como você se enxerga hoje não nasceu do nada.

As primeiras páginas da sua história começaram a ser escritas lá na infância, a partir das primeiras interações com seus pais, cuidadores e com o ambiente ao seu redor.

Quando somos crianças, o mundo é um lugar imenso e misterioso, e o olhar dos nossos pais é um dos nossos principais pontos de referência.

É através do tom de voz, do abraço, do incentivo após um erro ou até mesmo do silêncio que começamos a responder a três perguntas fundamentais:

  • Sobre mim: “Eu sou amado? Eu sou capaz? Eu tenho valor?”
  • Sobre os outros: “As pessoas são confiáveis? É seguro me expressar?”
  • Sobre o futuro: “O mundo é um lugar de oportunidades ou de ameaças?”

Quando as Crenças Se Tornam Verdades Absolutas

O problema é que a mente infantil é pura e literal.

Quando uma criança cresce sem o incentivo adequado ou em um ambiente onde o erro é severamente punido, ela pode absorver ideias sobre si mesma que se tornam absolutas, rígidas e generalizadas.

Na vida adulta, essas ideias podem se traduzir em pensamentos silenciosos:

  • “Eu nunca consigo terminar o que começo.”
  • “Não adianta tentar, não sou bom o suficiente.”
  • “O sucesso é só para os outros.”

Essas travas invisíveis não afetam apenas o desenvolvimento profissional ou a realização pessoal.

Elas podem estar associadas a sofrimento emocional, dificuldades nos relacionamentos, insegurança e estresse, afetando a forma como a pessoa percebe a si mesma e enfrenta os desafios da vida.

O Poder Transformador do Incentivo

A boa notícia é que o oposto também pode acontecer.

Quando uma criança cresce em um ambiente onde é vista, reconhecida e encorajada, ela pode desenvolver uma percepção mais segura de si mesma.

Ela aprende que errar faz parte do aprendizado, que suas emoções podem ser acolhidas e que possui recursos internos para enfrentar desafios.

Acreditar em si mesmo não é uma habilidade mágica com a qual nascemos; é uma semente que pode ser plantada e cultivada por quem nos ama.

Se você tem filhos, netos ou participa da criação de uma criança, você tem em mãos um dos poderes mais bonitos que existem: o poder de contribuir para a construção da autoestima de alguém.

Não Perca a Oportunidade de Ser uma Voz de Incentivo

O Perigo dos Extremos: Desencorajamento e Excesso de Elogios

Como já falamos acima, a mente infantil absorve muitas experiências de forma intensa. E é exatamente aí que podem surgir dois riscos silenciosos: a falta e o excesso.

Se, por um lado, uma infância sem incentivo, marcada por críticas ou punições severas, pode contribuir para a formação de crenças rígidas e limitantes, por outro lado, também existe um risco na direção oposta: o excesso de elogios sem fundamento real.

Elogiar demais sem um motivo real, mentir para poupar a criança de uma frustração, inventar qualidades que ela claramente ainda não desenvolveu ou dar parabéns por coisas que ela não fez também pode contribuir para uma percepção distorcida de si mesma.

Quando uma criança cresce ouvindo que é perfeita em tudo ou que já sabe fazer coisas que claramente ainda não domina, ela pode:

  • Criar uma ilusão que pode se quebrar no primeiro contato com o mundo real, seja na escola, no esporte ou nos relacionamentos.
  • Desenvolver menor tolerância à frustração, sentindo-se insegura por dentro, especialmente quando percebe que o elogio não corresponde à realidade.
  • Ter medo de tentar coisas novas para não perder o rótulo de “perfeita” ou “genial”.

O Equilíbrio: O Poder do Incentivo Real e Honesto

Se desencorajar pode paralisar e o elogio exagerado pode desconectar a criança da realidade, qual é o caminho?

O incentivo verdadeiro, focado no esforço, no aprendizado e na realidade.

Acreditar em si mesmo não significa achar que se é perfeito ou imbatível. Significa saber que é possível aprender, lidar com as falhas e evoluir.

“Eu vejo o quanto você se esforçou nisso, e estou aqui para te ajudar no que você ainda precisa melhorar.”

Como Incentivar de Forma Saudável no Dia a Dia

Para ajudar seus filhos a construírem uma autoimagem forte, confiante e realista, vale a pena praticar algumas atitudes simples:

  1. Elogie o processo, não apenas o resultado: Em vez de dizer “você é o mais inteligente”, experimente: “vi o quanto você se dedicou e estudou para essa prova.”
  2. Seja sincero com afeto: Se algo não saiu bem, não finja que foi incrível. Acolha a frustração e mostre o caminho: “Desta vez não deu certo, mas o que a gente pode fazer diferente na próxima?”
  3. Reconheça conquistas reais: Celebre os passos verdadeiros que a criança dá. O elogio que tem valor é aquele que reflete a realidade.
  4. Construa um refúgio seguro: Faça do seu lar um lugar onde errar não seja o fim do mundo, mas parte do aprendizado.
“Se você acha que pode ou se acha que não pode – das duas formas você está correto.”

No meio da correria diária, entre tarefas, prazos e rotinas, é fácil deixar passar os pequenos momentos.

Por isso, não perca a chance de olhar nos olhos dos seus filhos e dizer o quanto verdadeiramente os ama e se orgulha deles — não apenas pelos resultados, mas pelo esforço, pela coragem e pela pessoa que estão se tornando.

  • Troque a crítica pelo acolhimento: quando algo der errado, mostre que o valor deles não diminuiu por causa daquela falha.
  • Valide as pequenas conquistas: celebrar a tentativa também é importante.
  • Construa um refúgio seguro: faça do seu lar um espaço onde eles saibam que sempre serão aceitos por quem realmente são.

Quando Essas Crenças Continuam Presentes na Vida Adulta?

Muitas vezes, com as experiências e a chegada da maturidade, a própria vida se encarrega de colocar algumas coisas em perspectiva, dando forma a um olhar mais realista sobre nossas forças e dificuldades.

Quando isso não acontece naturalmente, talvez você perceba que tem muito a realizar, mas sente que existe algo travando o seu potencial.

Se este é o seu caso, é possível que determinados padrões de pensamento estejam influenciando a forma como você se percebe, toma decisões ou enfrenta desafios.

Talvez você reconheça pensamentos como:

  • “Eu não sou bom o suficiente.”
  • “Eu sempre estrago tudo.”
  • “Não adianta tentar.”
  • “Eu nunca vou conseguir.”

O Que é a Terapia do Esquema?

Quando determinados padrões de pensamento, emoção e comportamento permanecem rígidos ao longo da vida e começam a causar sofrimento ou dificuldades, a Terapia do Esquema pode ser utilizada na psicoterapia para compreender esses padrões e trabalhar formas mais adaptativas de lidar com eles.

A abordagem busca compreender como experiências importantes da vida podem contribuir para a formação de padrões que continuam influenciando a maneira como a pessoa interpreta a si mesma, os outros e o mundo.

Terapia do Esquema e Crenças Limitantes

Se você percebe que determinadas crenças ou padrões continuam influenciando suas escolhas, relacionamentos ou a forma como enxerga a si mesmo, a psicoterapia pode ser um espaço para compreender melhor essas experiências e desenvolver novas formas de lidar com elas.

Saiba mais sobre a Terapia do Esquema:

Conheça a Terapia do Esquema →

Ou entre em contato para saber mais sobre como essa abordagem pode fazer parte do seu processo de psicoterapia.